terça-feira, 3 de agosto de 2010

TELES COBRAM PREÇO DE JAGUAR POR CARRO USADO

Teles querem cobrar preço de Jaguar por carro usado


Se depender das teles, a internet no Brasil continuará a demorar um pouquinho...
Tucanos e empresários da telefonia, aqueles que nos oferecem um serviço de quinta por preços de primeira, têm uma incrível afinidade. Já tinha comentado aqui a afirmação do site Brasil de verdade, de apoio a Serra, de que os problemas da banda larga se devem “às dimensões do Brasil e à baixa renda de parte da população”. E hoje o presidente do sindicato das teles cunhou a máxima de que “não dá para ter um serviço 3G de Jaguar se você pagou para ter um Gol.”
A que serviço o senhor Eduardo Levy está se referindo? Certamente não é ao que as teles privadas aqui oferecem já que compará-la a um Gol é uma ofensa. Se eu fosse a Volkswagen processava esse cidadão. O serviço de internet no Brasil não vale um carro usado e o de banda larga não dá nem para um carrinho de mão.
O que a frase do representante das teles revela é que o desejo das empresas é cobrar o preço de um Jaguar, que poucas pessoas podem comprar no mundo, por um serviço de banda larga que jamais irão prestar. A intenção das teles é tornar a banda larga um privilégio e não universalizá-la para o desenvolvimento das comunicações no país.
O senhor Eduardo Levy voltou a chorar contra a carga tributária – as teles adoram lucrar sem pagar impostos – e transferiu a responsabilidade pelas baixas taxas de velocidade e quedas constantes de conexões à natureza da tecnologia. O presidente do sindicato das teles ainda afirmou que periga as operadoras nem cumprirem os patamares mínimos fixados pela Anatel sobre a qualidade da telefonia celular. Espero que a agência reguladora, que costuma dormir no ponto, não tolere nenhum corpo mole ou lobby das teles e exija o cumprimento de todas as exigências, sem exceções.
Foi por isso que o governo acertadamente reativou a Telebrás para garantir o Plano Nacional de Banda Larga, que as teles privadas jamais executariam. Mas é preciso pensar em ampliar o seu papel, inicialmente restrito à rede de comunicação da administração pública federal e a localidades distantes, e assumir a prestação completa do serviço de conexão à internet em banda larga caso as empresas continuem com esse joguinho hipócrita de que o que recebem não compensa o investimento que fazem. Se insistirem que é esse o caso, podem ser convidadas a se retirar e deixar o serviço para quem o encara como necessidade da população brasileira e não exclusivamente como negócio.

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